terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Experiência"

Mas vamos tentar agora tirar a máscara? O que experimentou esse adulto? O que pretende provar-nos?
Antes de tudo, um fato: ele também foi jovem, também ele desejou outrora o que agora queremos, também ele não acreditou em seus pais; mas a vida também lhe ensinou que eles tinham razão. E ele sorri com ares de superioridade, pois o mesmo acontecerá conosco – de antemão ele já desvaloriza os anos que vivemos, converte-os em época de doces devaneios pueris, em enlevação infantil que precede a longa sobriedade da vida séria. Assim são os bemintencionados, os esclarecidos. Mas conhecemos outros pedagogos cuja amargura não nos proporciona nem sequer os curtos anos de “juventude”, sisudos, cruéis querem nos empurrar desde já para a escravidão da vida. Ambos, contudo, subestimam, destróem nossos anos. E, cada vez mais, somos tomados pela sensação de que nossa juventude não passa de uma curta noite (viva-a plenamente, com êxtase!); depois vem a grande “experiência”, anos de compromisso, pobreza de idéias e monotonia. Assim é a vida, dizem os adultos, isso eles experimentaram.
A realidade não se encerra num conceito, mas denuncia aquilo que a experiência não pode ser sob pena de degenerar-se em mera vivência, sem o espírito, sem a “fidelidade à busca da verdade” que é preciso manter, porque o jovem vivenciará o espírito, e quanto mais difícil lhe seja conquistar algo grandioso, mais facilmente encontrará o espírito em sua caminhada e em todos os homens. O jovem será amável como homem adulto. O filisteu é intolerante.
Nós, porém, conhecemos algo que nenhuma experiência pode nos proporcionar ou tirar: sabemos que existe a verdade, ainda que tudo o que foi pensado até agora seja equivocado; sabemos que a fidelidade precisa ser sustentada, ainda que ninguém a tenha sustentado até agora. Nenhuma experiência pode nos privar dessa vontade.
Mais uma vez: nós conhecemos uma outra experiência; esta pode ser hostil ao espírito e aniquilar sonhos que florescem. Todavia, é o que existe de mais belo, intocável e inefável, pois ela jamais será privada de espírito se nós permanecermos jovens. Cada um só vivencia a si mesmo, diz Zaratustra ao término de sua peregrinação. O filisteu realiza sua “experiência”, sempre a mesma expressão da ausência de sensibilidade.
O jovem vivenciará o espírito, e quanto mais difícil lhe seja conquistar algo grandioso, mais facilmente encontrará o espírito em sua caminhada e em todos os homens.


(Benjamin, 1984)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Domingo no Parque

Todo dia, ao sair de casa para trabalho ou estudo, é hábito sempre pegar o mesmo caminho, passar pelos mesmos lugares e, se possível, estacionar na mesma vaga. Uma rotina comum, que quando quebrada nos faz sentir perdidos e inseguros.
Mas... E se um dia, ao acordar, surgir a vontade de saber como seriam as coisas se fossem diferentes? Então vem o desejo de fazer algo novo, inesperado, algo que acrescente um capítulo nas páginas do nosso livro pessoal, uma história que valha ser lembrada e contada.


Às vezes, se espera que essa coisa nova venha e vire nossa vida de pernas pro ar, nos faça perder o rumo e bagunce a verdade que conhecemos. De fato, às vezes, isso acontece. Mas aguardar que isto aconteça se torna perigoso quando deixamos os pequenos prazeres nos escapar, coisas simples que vistas sob uma nova perspectiva, toma um rumo diferente daquele que estávamos acostumados.

Como um lugar que se passa todo dia e perceber que a árvore caída que bloqueia seu caminho, floria o ano inteiro e você nunca viu a cor de suas flores. Ou como escutar uma mesma música todo o dia e não saber que a letra diz exatamente o que você sente, mesmo você a sabendo cantar.

Quando percebemos estes detalhes, percebemos estas coisas que mesmo estando sempre lá, nunca perdem o encanto ou a beleza, quando nossos olhos se abrem para observar e admirar, o mundo muda, mesmo que continue o mesmo.

Demorei para perceber, mesmo que pense que nunca é tarde demais para isto.
Era um dia de inverno.

Um dia que o sol brilhava forte e a temperatura estava agradável. Um daqueles dias que ficar em casa parece te sufocar, além de ser um enorme desperdício.
Calçando um tênis confortável, eu saio a caminhar sem rumo, sem destino. Meus pés me levaram para um lugar que embora eu já conhecesse, me era totalmente novo.
O local, pasmem, era o meu trabalho. Talvez tenha sido força do hábito, mas o fato é que eu trabalho num parque ecoturistico, embora nada tenha a ver meu trabalho com isto, apenas o prédio fica dentro do parque.Mesmo passando por aquele enorme jardim e vendo as araucárias da janela de minha sala, a beleza que hoje se abre aos meus olhos, passava despercebida.

O mesmo caminho, as mesmas flores enfeitando esse caminho pareciam ter novas cores, uma nova textura. O prédio na entrada agora parecia imponente, contando séculos de história.
Mesmo não estando sozinha, eu podia ouvir o barulho do vento, o farfalhar das folhas. Eu ouvia vozes alegres, risos. Via pessoas caminhando lentamente, desfrutando da paisagem, em vez de passos rápidos e pessoas casbibaixas. Eu vi crianças, jovens e idosos usando roupas coloridas, moletons, agasalhos, em vez dos costumentos ternos cinzas e pretos.
Pipas das mais diversas formas enfeitavam o céu, bolas das mais diversas cores rolavam na grama.


Para os que estavam ali, era mais um dia de lazer no fim de semana, mas eu vi um mundo novo se abrindo aos meus olhos, eu vi o que me passou despercebido por meses. Eu vi a beleza e a alegria.
Admirada com minha nova descoberta, eu fiz algo que nunca me passou na mente fazer: tirei uma foto.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quando começou...


Não sei dizer quando começou,
Foi me envolvendo aos poucos,
Incerto, confuso, sem sentir,
Nos encontrando nos momentos mais loucos.


Tempo que passamos juntos, filosofias baratas,
Conversas sem sentido, piadas sem graça
Madrugadas inteiras num piscar de olhos
Minutos que correm, horas ingratas.


Passei, então, a desejar mais, ansiar,
A fragrância amadeirada do teu corpo,
O doce timbre da tua voz,
O sorriso que não dá para disfarçar.


Te quero ao meu lado, hoje e sempre
Teus braços quentes e teus beijos ardentes,
Tua alegria, teu riso, tua coragem e força,
Teu jeito de ser e encarar o futuro com confiança.


Eu amo todas as virtudes e defeitos,
De quem completa minha existência e meu mundo
Que me desperta o sentimento mais forte e profundo
Com quem, a eternidade não será o bastante.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Abacate



Hoje senti uma vontade enorme de comer um abacate.

Lembro de quando tinha um pé de abacate no quintal de casa, de quando eu e minha avó íamos escolher o melhor abacate da árvore para comermos juntas na mesa da cozinha.
Dividido, metade para cada uma, com açucar e uma colherzinha para ir raspando a fruta com o açucar.


Sentei com uma fruta na mão, trazida pela minha mãe do mercado. E refiz todo o ritual sozinha. Lavei a casca, cortei o abacate e coloquei açucar no meio. Mas ao dar minha primeira colherada, senti na boca um gosto estranho. Coloquei mais açucar, pensando que talvez o abacate não estivesse tão maduro assim, mas o gosto ruim continuou.


Quando pensei em por mais uma colher de açucar, minha mãe toma o açucareiro de mim. Eu protestei:
- Mas mãe! Está amargo!
Minha mãe me olhou e respondeu:
- Não importa o quanto de açucar que você coloque, o abacate não deixará de ser amargo.
Lágrimas me veem aos olhos:
- Por quê?
Minha mãe acaricia meus cabelos, enxuga minhas lágrimas e beija minha testa:
- Por que este, minha pequena, é o amargo gosto da saudade!

Para minha "omma". Sinto sua falta!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dualidade



Acho muito complicado julgarmos bem e mal, certo e errado, verdadeiro e falso ou realidade e ilusão. Analisando friamente cada par, encontraremos erros lógicos claros na definição de cada um deles, vejamos, por exemplo, o par “realidade e ilusão” parece ser bem definido e fácil de distinguir, mas pensando de uma forma profunda nisso, se pedirmos para alguém definir o que é real para ela, ela dirá que é algo que ela possa sentir (ou seja, a realidade está ligada aos sentidos humanos e nada mais), ora, se a realidade está ligada aos sentidos, a realidade passa a ser algo pessoal e não mais universal. Se eu estou vendo uma pessoa e você não, essa pessoa é real para mim e uma ilusão para você, e seguindo este pensamento, quando vemos uma pessoa conversando com o “vazio” e dizemos que ela é louca, na verdade estamos apenas negando o ponto de vista daquela pessoa, pois na realidade que ela “sente”, tem uma alguém naquele “vazio”.

Já o par verdadeiro e falso, pode ser questionado quando percebemos que o conceito do que é verdadeiro é influenciado pela forma de pensar e pelo conhecimento de cada pessoa. Uma pessoa poderia considerar uma verdade a existência de fantasmas, baseado em um conhecimento “espiritual” que ela tenha que prove esta verdade, mas outra pessoa pode achar tudo isso falso, se baseando em idéias mais “céticas” que desmentiriam essa história. Uma pessoa pode considerar falso a existência de dinossauros no mundo antigo por não entender como um arqueólogo trabalha. Mais uma vez, o ponto de vista é determinante.
Certo e errado, talvez o conceito que as pessoas acham mais fáceis de distinguir, mas é com certeza o mais problemático. O que é certo? Não vejo muito como definir, o que vejo é que certo e errado é um conceito criado por três fatores: Cultura, Conhecimento e Personalidade. A cultura é a primeira formadora do conceito de “certo” do indivíduo, ela define ações que posteriormente serão filtradas pelos outros dois fatores. Um bom exemplo da criação de “certo” pela cultura é a escravidão que ocorria antigamente, naquela época a cultura do branco escravizar um negro era o “certo”, toda a sociedade concordava com isso e por isso, não era considerado um ato cruel e nem errado. O primeiro “filtro” do conceito de “certo” que é criado pela cultura, é o conhecimento. Com o conhecimento começamos a questionar se o certo culturalmente é realmente certo. Um bom exemplo é o conceito cultural de que o certo é jogar água nas chamas de um incêndio causado por produtos combustíveis, mas se a pessoa tiver o conhecimento necessário, ela saberá que fogo causado por combustíveis irá espalhar mais se ela fizer isto. O último filtro do conceito de “certo” é a personalidade. Uma vez que você já filtrou um conceito pelo seu conhecimento, você filtra ele de acordo com sua personalidade, isso quer dizer que, se na minha cultura é certo matar pássaros e meu conhecimento não me diz que é errado, eu posso me recusar a matá-los por minha personalidade não concordar. Isto aconteceu com a escravidão, apesar de ser um conceito culturalmente certo, e não ter nenhum conhecimento que fosse contra este conceito, muitas pessoas eram contra devido a própria personalidade.
Outra vez, temos um conceito definido pessoalmente, ou seja, pelo ponto de vista de uma pessoa.


Bem e mal estão intimamente ligados com certo e errado, e assim como estes, na minha opinião, bem e mal são conceitos pessoais. A definição de bem é algo que é definido depois de um evento. Vejamos, durante o processo de abolição da escravatura no Brasil, haviam pessoas a favor e outras contra, hoje, como as pessoas que eram a favor venceram, nós achamos que as pessoas que foram contra a abolição eram pessoas más, porém, imaginem se as pessoas que eram contra a abolição tivessem vencido, provavelmente nós acharíamos que as pessoas que eram a favor da abolição eram as vilãs. Outro exemplo é a Segunda Guerra Mundial, eu me pergunto, e se Hitler tivesse vencido, o que pesaríamos sobre ele? Será que ele seria ainda o vilão?
Acho que para a maioria das pessoas não, pois a história é contada pelos vencedores, e quem conta a história nunca é o vilão...
Bem, acho que o ponto de vista influencia em tudo que fazemos e pensamos, mais, ponto de vista tem influência física e isto fica claro na Teoria da Relatividade Especial de Einstein. Mas nada do que eu disse aqui deve ser tomado como verdade, pois é apenas o meu Ponto de Vista

Contribuição por Anderson Schinniger

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Por que

Por que o universo é vasto, se sou apenas um grão de areia?
Por que há tantos planetas, se vivo no mundo da lua?
Por que destruímos a Terra, se ela é uma jóia azul rara?
Por que o mundo é redondo, se minha vida é quadrada?


Por que o mar é imenso, se vivo em terra?
Por que o céu é azul, se gosto da cor rosa?
Por que os pássaros voam, se nos ensinam viver com os pés no chão?
Por que o mundo dá voltas, se prefiro ficar sentada?


Por que tamanho preconceito, se somos todos iguais?
Por que tanto ódio, se buscamos o amor?
Por que as guerras, se queremos a paz?
Por que das distinções, se somos todos irmãos?


Por que fazemos tantas perguntas, se a resposta é simples?
Porque somos humanos, em vez de sermos algo melhor!


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sa...


Seus olhos,
Da cor da mais rara jóia
Em seu encontro
Das montarias tombam os homens.

Seu poder é incontestável,
Sua sabedoria imbatível,
Sua beleza incomparável,
Sua pessoa inesquecível.

Pra mim ela é única,
A ela me dedico
E morro.

Ela é minha líder,
Minha soberana,
Minha amiga...

by Felipe Chaos

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Primeira Geada do Ano


O sol raiava na janela do meu quarto, me despertando e me fazendo me aconchegar ainda mais nas minhas cobertas quentinhas, desejando dormir mais cinco minutinhos...
Como que em protesto, o sol brilha mais forte e o cheiro de café recém coado e pão saindo do forno invadem meu quarto, e me dou por vencida.
Jogo as cobertas para um lado e levanto, o frio do outono me obriga a por minhas pantufas e um casaco. No banheiro, a água fria me desperta por completo.
Já na varanda, com uma xícara na mão, observo o restante do alvorecer.
Enquanto nascia, o sol iluminava a grama branca do meu jardim, as flores se abriam e os pássaros saiam dos ninhos para receber aquele calorzinho gostoso do início da manhã.
E eu sorrio ante a primeira geada do ano.





sexta-feira, 26 de março de 2010

Amizade

Como saberei quando nasce uma amizade?

Mesmo com alguém que não posso tocar?
Quando percebi que tu te tornaste meu amigo de verdade?
Será que foi no momento que aprendi de te gostar?

Nem mesmo a distância que nos separa
É maior que meu afeto, nem se compara
Não me importo com a aparência ou idade
Gosto de teu sarcasmo, humor e sinceridade

Não buscamos o comum e o banal
Vamos além, encontrando algo sem igual
Traçamos nosso próprio caminho
Desviando e enganando o destino

E quando isso passou a ser importante?
Em meio a apoio mútuo e constante
Uma amizade pro tempo guardar
E em nossas vidas perdurar

Dedicado ao Felipe Chaos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sensações

Após o pôr-do-sol, o dia escurece
No frio da noite, teu corpo me aquece
Tuas mãos acariciam meu rosto
Minha mente fervilha imaginando o gosto


Fecho os olhos ante a espera
Minha boca molhada antecipa o momento
Meu corpo vibra, meu coração acelera
A expectativa se transforma em tormento


Nossas bocas se unem, nossos corpos se colam
É lascivo, ardente, inebriante
O tempo pára e vozes se calam
A eternidade num breve instante



sexta-feira, 12 de março de 2010

Quimera


Quando eu disse "te amo", tu não me acreditaste.
Era algo passageiro como tantas vezes o provaste.
Quantas vezes ouvimos as mesmas falsas palavras?



Culpo àqueles que o disseram antes de mim.
Achei que era sublime, dito num suspiro, algo sem fim,

Mas o dizem por desejos egoístas, transformando-o em fantasia.
Restringir-me-ei de dizê-lo, não serei comparada a tal hipocrisia.



Mas como perceberás que passa em meu coração?
Deixo à mercê do tempo de prová-lo a ti
E uma quimera me dirá que nada é em vão.


quinta-feira, 11 de março de 2010

11 de Marzo

"Precisamente aquí, juntos em Madrid, el recuerdo y el homenaje es para todas aquellas víctimas de aquel trágico jueves del que hoy nos separan exactamente cinco años."
- Lovg em 11/03/2009, ao lançarem esta canção.


Dia 11 de março de 2004, uma série de atentados terroristas abalou a cidade de Madrid, España. Foram 10 explosões quase simultâneas em 4 comboios, na hora em que o movimento era intenso, às 8:00 horas.
Nesta quinta-feira, recordamos dos 191 mortos e os mais de dois mil feridos que tiveram seus sonhos interrompidos cedo demais.

Música: Jueves - 11 de marzo
Banda: La Oreja de Van Gogh

Se eu fosse mais bonita e um pouco mais atraente
Se fosse especial, se fosse (capa) de revista
Teria coragem de atravessar o vagão e perguntar quem és
Senta-se em frente e nem imaginas
Que, por ti, uso minha saia mais bonita
E ao te ver bocejar pelo vidro, se inundam minhas pupilas

De repente me olhas, te olho e suspiras
Eu fecho os olhos, tu afastas o olhar
Apenas respiro, me sinto pequenina
E começo a tremer

E assim passam os dias de segunda a sexta
Como as andorinhas do poema de Becquer
E de estação a estação, nós dois frente a frente, o silêncio vai e vem

E então acontece, meus lábios acordam, pronunciam teu nome gaguejando
Suponho que penses, que garota mais boba e quero morrer
Mas o tempo para e chega perto dizendo
Ainda que eu não te conheça, já sinto sua falta
Cada manhã ignora o direto e pego este trem

E já estamos chegando, minha vida mudou.
Um dia especial este 11 de março
Pegas a minha mão, chegamos a um túnel que a luz se apaga

Encontro teu rosto graças a minhas mãos
Crio coragem e te beijo nos lábios
Diz que me amas e eu te dou de presente

O último sopro do meu coração

sexta-feira, 5 de março de 2010

Preciso de alguém



Preciso de alguém que me estenda a mão
Que aprenda a me escutar
Que saiba me aconselhar
Alguém que saiba me dizer não


Preciso de alguém
Que compreenda minha dor
Que me trate com amor
Que me faça ver além



Preciso de um cúmplice leal
Para elaborar meus planos
Para passarmos os anos
E fugirmos do normal


Preciso de alguém que seja amigo
Porque esse alguém junto comigo
Caçará os sonhos e as estrelas cadentes
E nossos laços, mais fortes que correntes.



Dedicado ao Anderson Skin, meu amigo e pai do meu futuro sobrinho xD

Pelo primeiro comentário no meu blog

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Minha visão


Sentada num tronco de uma árvora caída, no alto de um morro eu vejo o horionte. O azul límpido do céu tocando o verde reluzente da terra, ou seria o verde reluzente da terra tocando o azul límpido do céu?
O que vejo está além de qualquer descrição. As palavras parecem terrivelmente pobres diante de tal visão. Mas mesmo assim, não sou capaz de admirar o que está diante de meus olhos.

Por quê? Pergunta cruel que me atormenta a cada passo que dou. Eu vejo, eu percebo as coisas de modo diferente dos demais, isso me torna diferente? Talvez, mas o que é ser diferente? Quanto penso nisso, mais igual dos outros eu me sinto.
Assim como qualquer pessoa eu busco meu "eu" interior. Bem aventurados aqueles que o encontram, o aceitam e sabem conviver e tirar o melhor disto. Será que eu consigo?
Busco a felicidade. Pode esta ser alcançada?
Objetivos simples, mas ao mesmo tempo tão complexo que nenhuma resposta nos satisfaz por completo.
Invejo aqueles que sabem o que querem e correm atrás com empenho pois observam seu objetivo cada vez mais próximo. Quando o meu objetivo chegar, saberei reconhecê-lo?

Aos poucos o sol vai sumindo no horizonte e mesclando o azul e o verde, dando um tom vermelho, laranja e dourado. Já não posso distinguir o céu da terra, eles parecem ser um só.
Neste momento eu percebo que não importa não ter uma resposta clara para as perguntas que atormentam meu íntimo. É uma questão de onde estou e onde quero chegar e o caminho que trilharei.

É tudo uma questão de ponto de vista.