segunda-feira, 24 de maio de 2010

Abacate



Hoje senti uma vontade enorme de comer um abacate.

Lembro de quando tinha um pé de abacate no quintal de casa, de quando eu e minha avó íamos escolher o melhor abacate da árvore para comermos juntas na mesa da cozinha.
Dividido, metade para cada uma, com açucar e uma colherzinha para ir raspando a fruta com o açucar.


Sentei com uma fruta na mão, trazida pela minha mãe do mercado. E refiz todo o ritual sozinha. Lavei a casca, cortei o abacate e coloquei açucar no meio. Mas ao dar minha primeira colherada, senti na boca um gosto estranho. Coloquei mais açucar, pensando que talvez o abacate não estivesse tão maduro assim, mas o gosto ruim continuou.


Quando pensei em por mais uma colher de açucar, minha mãe toma o açucareiro de mim. Eu protestei:
- Mas mãe! Está amargo!
Minha mãe me olhou e respondeu:
- Não importa o quanto de açucar que você coloque, o abacate não deixará de ser amargo.
Lágrimas me veem aos olhos:
- Por quê?
Minha mãe acaricia meus cabelos, enxuga minhas lágrimas e beija minha testa:
- Por que este, minha pequena, é o amargo gosto da saudade!

Para minha "omma". Sinto sua falta!

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