segunda-feira, 24 de maio de 2010

Abacate



Hoje senti uma vontade enorme de comer um abacate.

Lembro de quando tinha um pé de abacate no quintal de casa, de quando eu e minha avó íamos escolher o melhor abacate da árvore para comermos juntas na mesa da cozinha.
Dividido, metade para cada uma, com açucar e uma colherzinha para ir raspando a fruta com o açucar.


Sentei com uma fruta na mão, trazida pela minha mãe do mercado. E refiz todo o ritual sozinha. Lavei a casca, cortei o abacate e coloquei açucar no meio. Mas ao dar minha primeira colherada, senti na boca um gosto estranho. Coloquei mais açucar, pensando que talvez o abacate não estivesse tão maduro assim, mas o gosto ruim continuou.


Quando pensei em por mais uma colher de açucar, minha mãe toma o açucareiro de mim. Eu protestei:
- Mas mãe! Está amargo!
Minha mãe me olhou e respondeu:
- Não importa o quanto de açucar que você coloque, o abacate não deixará de ser amargo.
Lágrimas me veem aos olhos:
- Por quê?
Minha mãe acaricia meus cabelos, enxuga minhas lágrimas e beija minha testa:
- Por que este, minha pequena, é o amargo gosto da saudade!

Para minha "omma". Sinto sua falta!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dualidade



Acho muito complicado julgarmos bem e mal, certo e errado, verdadeiro e falso ou realidade e ilusão. Analisando friamente cada par, encontraremos erros lógicos claros na definição de cada um deles, vejamos, por exemplo, o par “realidade e ilusão” parece ser bem definido e fácil de distinguir, mas pensando de uma forma profunda nisso, se pedirmos para alguém definir o que é real para ela, ela dirá que é algo que ela possa sentir (ou seja, a realidade está ligada aos sentidos humanos e nada mais), ora, se a realidade está ligada aos sentidos, a realidade passa a ser algo pessoal e não mais universal. Se eu estou vendo uma pessoa e você não, essa pessoa é real para mim e uma ilusão para você, e seguindo este pensamento, quando vemos uma pessoa conversando com o “vazio” e dizemos que ela é louca, na verdade estamos apenas negando o ponto de vista daquela pessoa, pois na realidade que ela “sente”, tem uma alguém naquele “vazio”.

Já o par verdadeiro e falso, pode ser questionado quando percebemos que o conceito do que é verdadeiro é influenciado pela forma de pensar e pelo conhecimento de cada pessoa. Uma pessoa poderia considerar uma verdade a existência de fantasmas, baseado em um conhecimento “espiritual” que ela tenha que prove esta verdade, mas outra pessoa pode achar tudo isso falso, se baseando em idéias mais “céticas” que desmentiriam essa história. Uma pessoa pode considerar falso a existência de dinossauros no mundo antigo por não entender como um arqueólogo trabalha. Mais uma vez, o ponto de vista é determinante.
Certo e errado, talvez o conceito que as pessoas acham mais fáceis de distinguir, mas é com certeza o mais problemático. O que é certo? Não vejo muito como definir, o que vejo é que certo e errado é um conceito criado por três fatores: Cultura, Conhecimento e Personalidade. A cultura é a primeira formadora do conceito de “certo” do indivíduo, ela define ações que posteriormente serão filtradas pelos outros dois fatores. Um bom exemplo da criação de “certo” pela cultura é a escravidão que ocorria antigamente, naquela época a cultura do branco escravizar um negro era o “certo”, toda a sociedade concordava com isso e por isso, não era considerado um ato cruel e nem errado. O primeiro “filtro” do conceito de “certo” que é criado pela cultura, é o conhecimento. Com o conhecimento começamos a questionar se o certo culturalmente é realmente certo. Um bom exemplo é o conceito cultural de que o certo é jogar água nas chamas de um incêndio causado por produtos combustíveis, mas se a pessoa tiver o conhecimento necessário, ela saberá que fogo causado por combustíveis irá espalhar mais se ela fizer isto. O último filtro do conceito de “certo” é a personalidade. Uma vez que você já filtrou um conceito pelo seu conhecimento, você filtra ele de acordo com sua personalidade, isso quer dizer que, se na minha cultura é certo matar pássaros e meu conhecimento não me diz que é errado, eu posso me recusar a matá-los por minha personalidade não concordar. Isto aconteceu com a escravidão, apesar de ser um conceito culturalmente certo, e não ter nenhum conhecimento que fosse contra este conceito, muitas pessoas eram contra devido a própria personalidade.
Outra vez, temos um conceito definido pessoalmente, ou seja, pelo ponto de vista de uma pessoa.


Bem e mal estão intimamente ligados com certo e errado, e assim como estes, na minha opinião, bem e mal são conceitos pessoais. A definição de bem é algo que é definido depois de um evento. Vejamos, durante o processo de abolição da escravatura no Brasil, haviam pessoas a favor e outras contra, hoje, como as pessoas que eram a favor venceram, nós achamos que as pessoas que foram contra a abolição eram pessoas más, porém, imaginem se as pessoas que eram contra a abolição tivessem vencido, provavelmente nós acharíamos que as pessoas que eram a favor da abolição eram as vilãs. Outro exemplo é a Segunda Guerra Mundial, eu me pergunto, e se Hitler tivesse vencido, o que pesaríamos sobre ele? Será que ele seria ainda o vilão?
Acho que para a maioria das pessoas não, pois a história é contada pelos vencedores, e quem conta a história nunca é o vilão...
Bem, acho que o ponto de vista influencia em tudo que fazemos e pensamos, mais, ponto de vista tem influência física e isto fica claro na Teoria da Relatividade Especial de Einstein. Mas nada do que eu disse aqui deve ser tomado como verdade, pois é apenas o meu Ponto de Vista

Contribuição por Anderson Schinniger